Cidadão jordano encontra e devolve saco com cerca de 344 mil euros
O homem encontrou um saco de dinheiro contendo cerca de 344 mil euros numa rua na cidade de Zarqa, no norte do país, e decidiu lançar um apelo numa rádio local para encontrar o proprietário.
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O meu comentário:
É que, naquele país de bons costumes, os ladrões levam as mãos decepadas, quando presos e condenados por roubo. Se essa lei vigorasse em Portugal, era bem capaz de não haver governantes e muitos autarcas, que não fossem manetas, de ambas as mãos, já se vê.
Em Portugal, como disse o amigo Pedroso, sofre-se muito para se ser sério!... E dá vontade de perguntar: - Ser sério, compensa? - responda quem souber.
Nunca mais me esqueço de um episódio que protagonizei, no ano de 1990, numa ida ao, já defunto, BPA, situado na Estrada de Circunvalação, perto da Rotunda AIP, no Porto. Fui a esse balcão, na hora de almoço, fazer um levantamento de um cheque ou transferência, vinda da Bélgica. Pela pressa, confiei na contagem das notas, feita pelo manga-de-alpaca, e segui para casa, a fim de almoçar. Entreguei o envelope com a "massa" à minha esposa, e esta pôs-se a contar as notas. Contou, recontou e voltou a contar. de súbito, já com certezas, afirmou: - Há aqui dinheiro a mais! E muito!
Eu, interrompendo o repasto e meio incrédulo, disse: - Antes a mais do que a menos! - e pus-me a desfolhar as notas. Passados poucos segundos também eu chegara à conclusão que, em vez dos setecentos e tal contos, tinha contado mil quatrocentos e não sei quantos... Confesso, que a primeira ideia que me saltou à cabeça, foi ficar com o excedente. Mas, no minuto seguinte, conferenciando com a mulher, concluí que o mais correto e aconselhável, seria devolver as notas, que tinham vindo a mais, à procedência. Até porque, comentámos entre os dois, se o dinheiro não fosse devolvido, o fulano do balcão é que tinha que "arrotar" com o "desfalque". E foi dentro desta filosofia que meti as notitas no envelope e regressei ao Banco.
Dirigi-me ao tipo do fato e gravata e disse-lhe ao que ia. Ele, ao mesmo tempo que escutava o que eu lhe transmitia, ia desfolhando os maços da "massa". Quando acabou a contagem, nem respirou fundo, nem me pareceu minimamente preocupado. Mas, quanto a mim, o pior é que o descarado nem sequer me agradeceu o gesto. Fez de conta que tudo aquilo era uma coisa normal, o dinheirinho estava de volta, e nada mais havia a comentar.
Eu, perante tal desfaçatez, reagi mal. E fiz-lhe ver que, não fora a minha honestidade e solidariedade, e ele tinha que desembolsar uns meses de vencimento, para colmatar a brecha. Sabem o que o mangas me respondeu? Foi assim:
- Não era eu quem ia pagar o prejuízo ao Banco! - e perante a minha incredibilidade, esclareceu:
- Nós, os que lidamos com dinheiro, temos um fundo especial para atender a casos desta natureza. - e mais não disse. Não disse ele, mas disse eu, fazendo-lhe ver que, como funcionário bancário, não seria muito profissional, mas como pessoa era um mau caráter. O tipo só não me deixou ali a falar sozinho, porque, entretanto, saí. Saí, mas muito indignado.
Quando, à noite, retornei a casa, disse:
- Se houver uma próxima, eu digo-te como é! Não devolvo nem um chavo!
Mas, até hoje, não houve mais próximas.
a) José Caria Luís
Obs. Texto escrito pelo A.O.

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