Até carne de BURRO, quanto mais de CAVALO!
Carne de CAVALO? Questionam eles. Que esquisitice! Digo eu. Pois fiquem sabendo, meus amigos, e não só, que essa estória ou mania de não gostar de carne de cavalo é uma modernice sem qualquer base de sustentação ou, como diz o povo, uma coisa sem pés nem cabeça. Há lá melhor bife do que um bom naco de carne de equídeo?
Na minha terra houve dois talhos em permanência: o do Chico da Anica (mais tarde o filho, Zé Periquito) e o do Francisco Rouxinol. E digo houve, porque hoje já não há nenhum. Aquele primeiro, ainda durou para cima de cinquenta anos, enquanto que o segundo se deve ter ficado pelas quatro décadas. Estes só vendiam carne de carneiro e de porco, que eles próprios matavam. Nem vaca nem cavalo alguma vez teve a honra de se ver exposto em tais escaparates. Dá-me a impressão de que, para o povo de Vale da Pinta, o consumir carne de cavalo, até seria uma heresia. Tal como os muçulmanos abominam a carne de porco, também os meus conterrâneos eram avessos à de cavalo. Carne de vaca, embora só mais tarde se verificasse a abertura de talho desta especialidade na terra, sempre vinha, aos fins de semana, do Mercado do Cartaxo, e comia-se. Os tais dois talhos mais antigos, até tinham rebanhos de ovinos, que criavam e apascentavam, não só por cômoros e valetas mas, também, pelas herdades pertenças de A, B e C, o que, de vez em quando, despoletava um queixa na G.N.R. e lá ia o Chico da Anica e mais o Rouxinol, cada um a seu tempo, à vez, pagar a multa ao Cartaxo.
Em tempos que já lá vão, já para cima de meio século, nos tempos em que trabalhei em Colares, Oeiras, Sesimbra, Lisboa (Alvalade e Alcântara), vi, com grande surpresa, que havia talhos de carne de cavalo. Até em Marrocos vi alguns talhos de carne de cavalo, vejam bem! À primeira vista nem dava para acreditar. O quê? As pessoas, os humanos comiam carne de cavalo? Mas a verdade é que se os estabelecimentos estavam abertos é porque tinham clientela, senão fechavam todos, como está a acontecer agora, embora por motivos diferentes.
Mas, bem vistas as coisas, às tantas até a carne de burro marchava... Marchava, porque marchou, durante alguns anos, para o bandulho dos saloios, ali para Loures, Odivelas e Olival Basto. Nas décadas de cinquenta e sessenta descobriu-se um grande filão de matadouros clandestinos que, à mistura com as outras espécies consagradas no altar da mesa dos portugueses, aproveitavam todo o tipo de gado asinino para alimentar uma grande fatia daquelas populações, ali mesmo às portas de Lisboa. Porém, que se constasse, parece que não houve óbitos nem duradouras maleitas. Prenderam meia dúzia de mixordeiros, fecharam alguns estabelecimentos e pronto. Carne de burro, jamais! Penso eu. Mas agora, aqui para nós, que mais ninguém nos lê: que tal uma bela nalga de um tenro burrito assado no forno? Não ia, não? Ó meus amigos, é tudo uma questão de hábito... ou fome!...
Fique pois o pessoal ciente de que uma coisa é a saborosa, saudável e energética carne de cavalo, a outra, completamente diferente, é pretenderem vender gato por lebre que é, como quem diz, operarem uma miscelânea de carnes, em que intervêm cavalo e vaca, com rótulos falsos, como no caso das embalagens de lasanha, vendidas por essa Europa fora. Todavia, como o que não mata engorda...
É bom que se averigue qual foi o animal que mais se distinguiu no campo da maluquice: se os cavalos ou as vacas. Cavalo louco ou "Crazy Horse", que eu saiba, houve apenas três e, mesmo assim, foi no sentido figurado, já que era o nome de guerra atribuído a um chefe índio; um cabaré de maus costumes, em Paris e o nome de batismo de um conjunto pop norte-americano. Quanto à quantidade de vacas loucas, estamos conversados. Aqueles que sofrem de insónias, em vez de se porem a contar carneiros, passem a contar vacas, mas loucas. Contudo, aposto em como estas são bem mais que os cavalos.
Obs. Este artigo está conforme o novo A.O.
É bom que se averigue qual foi o animal que mais se distinguiu no campo da maluquice: se os cavalos ou as vacas. Cavalo louco ou "Crazy Horse", que eu saiba, houve apenas três e, mesmo assim, foi no sentido figurado, já que era o nome de guerra atribuído a um chefe índio; um cabaré de maus costumes, em Paris e o nome de batismo de um conjunto pop norte-americano. Quanto à quantidade de vacas loucas, estamos conversados. Aqueles que sofrem de insónias, em vez de se porem a contar carneiros, passem a contar vacas, mas loucas. Contudo, aposto em como estas são bem mais que os cavalos.
Obs. Este artigo está conforme o novo A.O.

é interessante.
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